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Divulgador das palavras do Ministério através dos escritos dos irmãos W. Nee e W. Lee aos buscadores pela verdade da Bíblia

sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

CAPÍTULO 05

A SEMEADURA DA SEMENTE DO REINO

Leitura bíblica: Mt 3:1-2, 4, 7-12, 16-17; 4:1-2, 11, 12-22; Mc 4:26-29

Que é o reino? O reino é a totalidade de Cristo como vida que se propaga em nosso interior com todas Suas atividades. O reino não é a totalidade de doutrinas nem de nenhuma outra coisa, mas a totalidade de Cristo como vida que se propaga em nosso ser com todas Suas atividades. Não devemos esquecer a parábola em Marcos 4:26-29. Nela, o Senhor Jesus comparou o reino com uma semente que é semeada na terra, a qual depois cresce, dá fruto e finalmente, produz a colheita. A colheita representa a plena manifestação do reino. Muito antes que se produza a colheita, o reino veio em forma de semente. Estritamente falando, a vinda do reino se iniciou com a vinda da semente. A manifestação do reino se produzirá mediante um processo de crescimento.

Isto difere completamente do conceito que tem ensinado alguns mestres cristãos que afirmam que o reino se encontra suspenso e que algum dia, repentinamente, este virá a terra. Este conceito é absolutamente errado. O reino vem como uma semente que é semeada na terra, a qual cresce até finalmente produzir a colheita. A colheita representa a vinda completa, a manifestação plena do reino. O reino começou a vir quando o Senhor Jesus veio como a semente faz uns dos mil anos e, desde então, continua vindo gradualmente mediante um processo de crescimento. Hoje em dia, ainda estamos no processo de crescimento do reino, com a expectativa de que um dia a colheita chegue à maturidade. Quando a colheita estiver madura, esse será o dia da plena manifestação do reino. A colheita completa a vinda do reino.

Esta não é uma mera interpretação de uma profecia. Esta é a compreensão adequada da Palavra pura de Deus. Marcos não é o único livro que apresenta tal parábola. Se alguém seleciona outros versículos dos diferentes livros do Novo Testamento, alguém verá que estes versículos encaixam entre si como as peças de um quebra-cabeça, apresentando-nos um quadro completo de Cristo, aquela pessoa maravilhosa, que veio como semente faz uns dos mil anos. Mas Ele não veio somente como semente do reino, mas, aliás, veio como o semeador do reino, o qual se semeia a Si mesmo na terra da humanidade. Desde então, começou a vinda do reino. Depois que esta maravilhosa semente foi semeada em nós, começa a crescer. Agora só necessitamos regá-la para que esta semente cresça e cresça. Hoje em dia, a semente continua crescendo, e este crescimento não é outra coisa que o processo de sua vinda de maneira gradual. Este processo, que é a vinda gradual do reino, continuará até que um dia este crescimento produza a colheita. Isso será a completação da vinda do reino. A colheita será a plena manifestação do reino.

Estou muito feliz de que tenhamos escutado as boas novas apropriadas quanto ao reino. Este tema do reino está escondido, oculto e velado por séculos. Porém, pela misericórdia e graça do Senhor, o véu é retirado. Nunca antes o tema do reino havia sido tão compreensível e transparentemente claro como o é para nós na atualidade. O reino é a totalidade do Cristo que, como vida, se propaga dentro de nosso ser com todas Suas atividades. A vinda do reino começou quando Cristo veio semear-se na terra da humanidade a fim de crescer, amadurecer e produzir a colheita, a qual é a plena manifestação do reino. O reino veio! Agora o reino cresce continuamente e vem mediante este processo de crescimento. Todos temos a semente, e todos nos encontramos neste processo de crescimento. Chegará o dia em que nos encontraremos na etapa da colheita. Agora nós temos o Senhor Jesus, a maravilhosa semente. Já perceberam do que Ele é para nós? Ele é o fruto de tantas gerações humanas mescladas com o Deus Triúno. Ele é “Jeová-mais” e Ele é “Deus-mais”! Esta Pessoa maravilhosa é a semente.

Mateus 1 nos apresenta a semente; o capítulo 2 nos fala das pessoas apropriadas para receber a semente. Agora, começando com o capítulo 3, nos mostra de que maneira esta semente do reino é semeada. Em primeiro lugar, Mateus 3 nos diz que a semeadura do Senhor Jesus como semente não tem nada a ver com a cultura ou a religião. Em nosso livro [Cristo é contrário a religião], indicamos que o precursor do Senhor Jesus, João Batista, aparece como uma pessoa sem cultura ou religião. Naquele tempo, o povo judeu possuía a cultura mais elevada com sua religião judaica, e João Batista nasceu na cultura e na religião mais elevadas. Entretanto, quando ele aparece, ele saiu da religião e da cultura. Durante aquele tempo, o centro da religião estava em Jerusalém, onde estavam o templo e o altar, porém João não foi lá. Apesar de ter nascido em uma família sacerdotal, ele se afastou do templo e da santa cidade. Ele simplesmente foi para o deserto, longe de toda cultura e religião humanas, vestindo-se com peles de camelo, algo selvagem e imundo. Segundo Levítico 11:4, o camelo era um animal imundo. João não somente se vestia com peles de camelo, mas também se alimentava de gafanhotos e mel silvestre (Mt 3:4). Tudo relacionado com João estava completamente isento de toda religião e de toda cultura.

João Batista pregava de maneira peculiar dizendo: “Arrependei-vos, porque o reino...” (v. 2). Aliás, Ele desenvolvia uma prática incomum. Se alguém aceitava sua pregação, ele não ministrava ensinamento, mas, simplesmente o submergia na água, o que significava que ele sepultava a pessoa e dava-lhe fim. Com efeito, o que João estava dizendo era: “É necessário que vocês sejam aniquilados e sepultados! Se arrependam por causa do reino! Então darei um fim e os farei morrer. Devem compreender que não servem para nada, só servem é para ser sepultados!” Pelo lado negativo, João sepultava as pessoas nas águas do batismo (vs. 5-6).

Pelo lado positivo, ele disse que Aquele que vinha haveria de batizá-los no Espírito Santo. João dava fim às pessoas, porém Aquele que viria lhes daria um novo começo. Em que consiste este novo começo? Quando os fariseus e saduceus vinham a João, eles provavelmente tinham o conceito de que deviam ser as melhores pessoas e, que talvez esta pessoa estranha pudesse fazer algo que os ajuda-se a serem melhores. Porém escutem o que João dizia. Ele não dizia: “Vocês, fariseus e saduceus, são uns cavalheiros, porém, não são suficientemente gentis; assim, eu vim para que sejam melhores”. Não! Ele antes dizia: “Raça de víboras! Quem os ensinou a fugir da ira vindoura?” (v. 7). Em outras palavras: “No pensem em termos de ser bons ou maus. Vocês são víboras, serpentes venenosas, uma geração de víboras. Mudar sua conduta não tem nenhum valor. Ainda que se sintam mais refinados, continuam sendo víboras. Se melhoram, simplesmente serão serpentes melhoradas. Vocês não necessitam mudar sua conduta, mas necessitam de uma mudança de nascimento. Necessitam experimentar uma mudança em vossa vida e natureza!”.

João disse aos fariseus e saduceus que não fizessem vãs suposições (v. 9). Ele disse-lhes: “Não penseis dentro de vós mesmos: Temos por pai a Abraão”, pois eles pensavam: “Somos filhos de Abraão. Nosso grande antepassado foi Abraão”. Isto simplesmente significa que sua forma de pensar era de acordo com sua antiga tradição. Para os judeus, Abraão tinha se convertido em parte de sua antiga tradição. Era muito difícil para eles não pensar em Abraão. João sabia que os fariseus e saduceus agiam segundo sua forma de pensar e que estavam pensando em Abraão; portanto, João disse-lhes: “Não penseis dizendo dentro de vós mesmos...”, ou seja, “Deixem de pensar tanto nele e arrependam-se! Arrepender-se de seus pensamentos. Não presumam de ter por pai a Abraão, pois Deus pode levantar filhos a Abraão destas pedras. Deus pode infundir Sua vida nestas pedras e fazer delas filhos de Abraão”. Como poderia Deus fazer das pedras filhos aptos para herdar a promessa que foi feita a Abraão? Há um só caminho, o caminho da vida.

Depois, João parece dizer: “Vocês víboras, vem a mim com pretensões; porém, ainda que me enganem, não podereis enganá-Lo. Eu os batizo na água. Se vocês são sinceros e tomam as coisas com seriedade, é o momento de arrepender-se por causa do reino, então Aquele que vem depois de mim os introduzirá no Espírito Santo, de tal modo que tenham uma nova vida. Porém, se não são sinceros, Ele tratará com vocês de outra maneira. Ele os introduzirá no fogo e serão incinerados!” (vs. 10-11).

Muitos cristãos citam Mateus 3:11, onde se fala de ser batizados no Espírito Santo e fogo, pensando que o fogo ali representa algo positivo. Porém se lermos detidamente os versículos 10, 11 e 12, verá que todos eles terminam com a palavra fogo. O versículo 10 diz que o machado já está posto a raiz das árvores; portanto, toda árvore que não dá fruto é cortada e lançada no fogo. O fogo neste versículo é acaso algo positivo? É claro que não! No versículo 11 João diz: “Eu os batizo em água para arrependimento; porém o que vem após mim [...] é mais forte que eu; Ele vos batizará no Espírito Santo e fogo”. Se o batismo será no Espírito Santo ou será no fogo dependerá de vocês. No próximo versículo, João disse que Aquele que vem tem Sua pá em Sua mão e limpará completamente Sua eira. Se vocês são grãos de trigo, certamente serão levados ao celeiro; ou seja, este serão aqueles que são postos no Espírito Santo. Porém se você é palha, Ele o porá no fogo inextinguível. Este é o significado correto que tem ó fogo nestes versículos. Nestes três versículos podemos ver que o fogo tem um sentido negativo. O Senhor Jesus é o único que tem o poder ou a faculdade para nos colocar no Espírito Santo ou no fogo.

O BATISMO DO SENHOR JESUS

Quando o Senhor Jesus foi batizado, o Espírito Santo desceu sobre Ele em forma de pomba. Ele havia sido concebido do Espírito Santo (Lc 1:31, 35; Mt 1:20), e este Espírito estava mesclado com Sua natureza humana internamente. Assim, quando o Senhor Jesus veio para ser batizado, Ele já era uma pessoa cujo elemento humano estava mesclado com a divindade. Posto que Ele já estava mesclado com o Espírito, como poderia o Espírito, como uma entidade completa, descer sobre Ele? Há acaso dois Espíritos Santos? Não possuía já o Senhor Jesus o Espírito Santo? Apesar de Ele ter sido concebido do Espírito Santo, entretanto, o Espírito Santo desceu dos céus sobre o Senhor Jesus como uma entidade completa. O Senhor Jesus é maravilhoso! Ele já estava mesclado com o Espírito Santo, não obstante, o Espírito Santo desceu sobre Ele.

João disse: “Ele os batizará no Espírito Santo” (Mt 3:11). O problema é: Como nos batiza? E quando nos batiza? Se pudéssemos reunir todos os mestres cristãos desde o primeiro século até agora, eles discutiriam sobre este tema até a eternidade. Ninguém pode sistematizar isto nem esclarecê-lo completamente. Não obstante, sei que o Senhor Jesus batizou a Pedro, sei que Ele me batizou e sei que batizou você no Espírito Santo. Como o fez? Ninguém pode explicar adequadamente. Salmos 139 nos dá a entender que nem sequer sabemos como fomos formados e criados por Deus. Certamente sabemos que Deus nos criou. Seria muito difícil para você explicar-me como foi que Deus o criou; porém, ainda que você não saiba como foi criado, certamente sabe que foi criado, porque está aqui. Assim, não sei exatamente como o Senhor Jesus me batizou, porém se sei que fui batizado por Ele, pois sinto uma alegria e um entusiasmo extraordinário por Ele. Se jamais tivesse sido batizado por Cristo, não poderia sentir-me tão entusiasmado. Assim, fomos batizados, mas, como? Não sabemos, porém Ele nos batizou no Espírito Santo. Não tente analisar isto, pois só o prejudicará. Na Bíblia não há nada que se pareça com a teologia sistemática. Só sabemos que fomos batizados no Espírito e que agora estamos aqui com a semente dentro de nós. O Senhor Jesus se semeou em nosso interior de uma maneira totalmente distinta de toda cultura e religião.

A SEMENTE VITORIOSA

Agora abordaremos o capítulo 4. O Senhor Jesus é a semente do reino a fim de ser semeada em nosso ser, porém, antes de poder semear-se em nosso ser, Ele devia passar na prova: Ele tinha que derrotar o inimigo. Assim, Ele foi ao deserto para encontrar-se com Seu inimigo e foi vitorioso. O líder dos demônios foi derrotado. O diabo foi vencido, não diretamente por Deus, mas por um homem, por Jesus, o nazareno. O inimigo tentou o Senhor Jesus para que não se mantivesse em Sua posição de ser humano dizendo-lhe: “Se és Filho de Deus, diga a estas pedras que se tornem pães” (Mt 4:3). O Senhor respondeu: “Não só de pão viverá o homem” (v. 4). Ele se manteve em Sua posição de homem, com o qual conseguiu derrotar o inimigo.

UMA GRANDE LUZ

Depois de derrotar o inimigo, o Senhor Jesus foi a Galileia dos gentios (vs. 12-17). Se não fosse pelo relato bíblico, jamais perceberíamos que Sua visita a Galileia representava o resplendor de uma grande luz. Ele foi ali para resplandecer sobre o povo assentado em trevas. Não se tratava simplesmente de uma pregação externa, mas de um resplendor. Por que aqueles jovens pescadores seguiram ao Senhor Jesus quando tudo o que disse-lhes foi: “Vinde após Mim” (vs. 18-22)? Ele não pregou muito. A Pedro e André simplesmente disse-lhes: “Vinde após Mim” e eles o seguiram. O Senhor Jesus, o nazareno, dizia às pessoas que o seguissem, e estas assim o faziam. Pedro e André deixaram seus barcos e o mar; Tiago e João deixaram suas redes e inclusive a seu pai. Por que as pessoas abandonavam tudo para segui-lo? Pelo fato de o Senhor Jesus ser uma grande luz que resplandecia sobre eles. Quando o Senhor Jesus visitou esse porto de pescadores, Ele resplandeceu sobre aqueles jovens pescadores, e estes o seguiram. Muitos de nós temos experimentado o mesmo. Posso testificar que tenho experimentado o resplendor do Senhor Jesus como a grande luz. Em certo sentido, Ele tem resplandecido sobre todos nós. Inclusive hoje, estamos sob Seu resplendor. Jamais poderemos apartar-nos dele, posto que Seu resplendor nos enlaça.

O apóstolo Paulo, quando era Saulo de Tarso, perseguia a igreja. Quando estava a caminho de Damasco, o Senhor Jesus, desde os céus, resplandeceu sobre ele (At 9:3-5). Saulo disse: “Quem és Senhor?” O Senhor Jesus o respondeu: “Eu sou Jesus, a quem tu persegues”. Paulo experimentou o resplendor do Senhor Jesus e ficou cego por isso. Todos fomos cegados e atraídos pelo resplendor do Senhor Jesus.

Quando o Senhor Jesus veio resplandecer sobre o povo assentado em trevas, unicamente os jovens foram cativados. Tiago e João estavam remendando suas redes junto a seu pai, Zebedeu. Somente estes dois o seguiram, porém, seu pai não. Todos os que Jesus chamou eram jovens. Se você não está cheio de preocupações, provavelmente seja jovem. Quando o Senhor nasceu, dois velhos buscadores de Deus, Simeão e Ana, estavam no templo. Eles amavam ao Senhor. Entretanto, o Senhor Jesus não foi ao templo chamá-los. Ele foi à orla do mar e chamou jovens. Em todos os países, um porto de pescadores, é um lugar muito sujo, onde se encontram todo tipo de pessoas de classe baixa. Não obstante, foi ali onde o Senhor Jesus pode encontrar-se com os jovens pescadores. O Senhor Jesus resplandeceu sobre estes pescadores jovens, que não tinham educação e disse-lhes: “Vinde após Mim”. Eles deixaram tudo e o seguiram. Foram estes jovens descontrolados, atrasados, incultos, e sujos quem seguiram ao Senhor Jesus.


Os jovens são as pessoas apropriadas para o mover do Senhor atual, não somente nos Estados Unidos, mais também na Europa, África e no mundo inteiro. É provável que Simeão e Ana já tivessem falecido quando o Senhor Jesus iniciou Seu ministério. O Senhor Jesus não foi ao templo chamar os velhos para que o seguissem. Antes, Ele foi a um porto de pescadores para achar alguns jovens pescadores que não tinham preocupações. Pode ser que eles estivessem sujos e vazios, mas não estavam cheios de preocupações. Somos velhos quando estamos cheios de preocupações. Porém, estes jovens, não professavam religião alguma, nem tinham conhecimento das Escrituras. O único que tinham era seu passado como pescadores pobres; ainda assim, o Senhor Jesus os chamou para segui-lo. Este mesmo princípio se cumpre na atualidade. Todos temos que ser jovens e livres de tudo o que poderia ocupar nosso ser. Para levar adiante Seu mover na terra, o Senhor jamais usará alguém que seja velho e esteja cheio de preocupações. Todos devemos ser tais pescadores jovens, e não pregadores sacerdotes ou fariseus jovens, mas jovens pescadores, muito simples, tão vazios e livres de preocupações. Estas são as pessoas apropriadas para o reino do Senhor.